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Archive for June, 2009

Criando conteúdo a partir do Tomboy

June 14th, 2009 6 comments
Muitos já devem ter ouvido falar do Tomboy. É um simples e simpático utilitário de notas pessoais, no estilo Post-It, mas que utiliza o mesmo conceito de links de um Wiki para ligar idéias/notas.

Já havia começado a utilizá-lo há um bom tempo atrás, mas, por algum motivo que não me vem a mente no momento, simplesmente deixei de utilizá-lo e acabei esquecendo de sua existência.

Nos últimos dias, estava procurando uma solução para me auxiliar a anotar pensamentos e idéias rápidas, de forma simples, sem muita frescura, somente para que as mesmas não se percam. Com o tempo, de pois, as mesmas podem ser mais bem trabalhadas. O importante é, como em fotografia, capturar o momento.

O Tomboy é útil exatamente para isso. Você está lendo, ouvindo, escrevendo ou vendo algo e uma idéia interessante surge. Ao invés de se iludir tentando guardá-la na cabeça e correr o risco de perdê-la posteriormente, você simplesmente a anota em uma nota no Tomboy.

Durante os dois ou três dias em que recomecei a utilizá-lo, o Tomboy já me auxiliou a organizar idéias pessoais e profissionais e já consegui finalizar algumas tarefas que sempre ficavam pendentes por eu acreditar que eram muito simples para serem anotadas.

Ledo engano, visto que sempre acaba me esquecendo das mesmas e, no final das contas, nunca as realizava, já que nunca lembrava das mesmas ao emaranhado de idéias em ebulição que pintam em minha mente a todo momento.

Um do recursos que eu procuro em qualquer software que seleciono para incluir em minha rotina de uso é a capacidade de, além de ser simples, não atrapalhar. Ou seja, o software precisa fazer o que se propõe a fazer e não criar empecilhos e/ou dificuldades para que seu uso seja efetivo.

O Tomboy fornece isso, ficando lá, estacionado quietinho no painel do GNOME como todo applet bem comportado deveria fazer, sendo facilmente alcançado com um clique ou uma única combinação de teclas, aparecendo somente quando chamado e desaparecendo o mais rápido possível para não interferir no fluxo de trabalho.

Além dessas características, outra coisa que o Tomboy oferece é uma arquitetura de plugins. Ele já é fornecido com inúmeros plugins e possui diversos outros desenvolvidos por terceiros, os quais acrescentam funcionalidades interessantes.

Um exemplo são os plugins de sincronização de notas. Enquanto a sincronização de notas online não se estabelece como um recurso carimbado como estável e o serviço Snowy (o qual utilizará a nova Tomboy Web REST API para colocar suas notas na nuvem) não é oficialmente lançado, podemos fazer uso dos plugins de sincronização de notas em diretórios locais ou remotamente via WebDAV ou SSH, usando sshfs/FUSE.

Venho usando a sincronização de notas através do plugin de sincronização SSH, que utiliza a tecnologia FUSE para “montar” um espaço em um servidor remoto, via SSH, e armazenar as notas do Tomboy lá, remotamente.

Dessa forma, é possível ter acesso a suas notas a partir de qualquer computador que tenha o Tomboy instalado. Não possuo Microsoft Windows instalado, mas já testei o Tomboy em GNU/Linux e MacOS e existem versões para Windows. Suas notas em qualquer lugar, a partir de qualquer plataforma.

Por ser de fácil uso, o Tomboy lhe incita a escrever notas sobre os mais simples e, aparentemente, mais inofensivos pensamentos possíveis. Isso é ótimo, pois invariavelmente você acaba sempre se lamentando de ter esquecido uma boa idéia que lhe passou pela cabeça e acabou sendo esquecida.

Idéias boas são raras. Não devemos tentar ficar exercitando o cérebro tentando armazená-las indefinidamente. Além de ser quase impossível, existem outros usos mais nobres para nossas mentes do que ficar guardando cada pequeno pensamento. Deixe uma ferramenta como o Tomboy fazer o trabalho sujo para você.

Um outro exemplo de plugin que comecei a utilizar agora e que, acredito, passarei a utilizar com uma frequência muito maior daqui em diante é o TomboyBlogposter, um plugin para postar suas nota do Tomboy como posts em seu blog.

Este, senhoras e senhores, é o primeiro post que vos ofereço, diretamente do meu novo “bloco de notas” pessoal virtual, o Tomboy.

Geeks, nerds e a difícil fuga da depressão

June 13th, 2009 7 comments

Vem se tornando uma tendência. Diariamente, recebo pequenas provas de que, apesar da tecnologia nos trazer a possibilidade de termos contato com cada vez mais pessoas, a mesma também traz problemas que anteriormente seriam impensáveis e acaba nos afastando de muitas pessoas.

Tudo pode ser feito instantaneamente. E se existe essa possibilidade, então o lema agora é que assim deve ser. Afinal, por quê não aproveitar em sua totalidade tudo o que a tecnologia tem a nos oferecer ? O grande problema nisso é que, no meio do caminho, nos esquecemos que, para lidar com a tecnologia, ainda precisamos de pessoas.

E pessoas, ao contrário da tecnologia, não costumam ser instantâneas, imediatas, tão perfeitas ao ponto de lhes exigirmos que tudo esteja pronto para ontem. Por mais que tenhamos visto isso há décadas em filmes, pessoas ainda não aprenderam o dom da telepatia e, por isso, ainda não aprenderam a interpretar nossos pensamentos, atendendo nossos desejos antes mesmo de nos pronunciarmos verbalmente sobre os mesmos.

Acostumados com a rapidez da tecnologia, assumimos que as coisas devem ser feitas de forma instantânea. Não aceitamos esperar em filas de bancos se podemos resolver tudo pelo serviço de atendimento online. Não queremos conversar com atendentes se um sistema de menus e alguns toques nas teclas certas nos levam ao o que queremos.

Cada vez mais, nos distanciamos do contato com o ser humano, exatamente por estarmos acostumados a lidar com máquinas, geralmente perfeitas e rápidas, que não nos fazem perguntas indesejadas e somente realizam o que lhes comandamos. Em nossa visão, ao lidar diretamente com o ser humano, temos que retroceder em relação a nossas expectativas, a nosso desejo imediatista, porquê o ser humano, obviamente, (ainda?) não é uma máquina.

Algo interessante, que particularmente não imaginava que ocorreria tão cedo, é o fato das pessoas que lidam conosco, não necessariamente pessoas geeks, nerds e ou amantes da tecnologia, estarem começando a, elas também, ficarem dependentes da tecnologia e a perceber que o contato com sistemas automatizados trazem alguns benefícios ao seu dia-a-dia.

Se você sempre reclamou do atendente do serviço de telefonia ou de qualquer profissional com o qual você tenha que que lidar para resolver um problema com um serviço sendo prestado de forma indesejável, pare um pouco para imaginar que, você, geek ou nerd que trabalha na área de tecnologia, provavelmente também recebe ou receberá algum nível de hostilidade originada das pessoas com as quais você tem que lidar diariamente em sua profissão.

Seja um superior, um cliente ou um colega de trabalho, é comum perceber que as pessoas, atualmente, por estarem acostumadas a rapidez com que pode se resolver os problemas com a ajuda de máquinas, esperam que um problema, quando depende de você (ser humano) para ser solucionado, receba a mesma atenção e rapidez em sua resolução que normalmente se esperaria de um sistema automatizado.

Ou seja, se é algo que não pode ser resolvido imediatamente, invariavelmente, as pessoas que dependem da solução do problema ficarão de uma forma ou de outra insatisfeitas e, por vezes, vão lhe enxergar como o elo fraco na solução de seus problemas, o ser humano lento e desengonçado que ainda está lá, no meio do caminho, atrapalhando a solução rápida de seu problema que, na visão delas, poderia estar sendo resolvido por um sistema rápido e perfeito, que não faz perguntas e simplesmente resolve problemas.

Asbtraia o fato de que, geralmente, o problema a ser resolvido ainda não é passível de ser solucionado totalmente por uma máquina e/ou sistema e que, felizmente ou infelizmente, ainda é necessário que um humano ainda esteja lá, para ajudar onde as preciosas máquinas ainda não conseguem chegar.

O que as pessoas se esquecem é que, ao contrário do que a ficção científica nos faz acreditar, as máquinas não funcionam sozinhas. Elas precisam ser construídas, programadas e mantidas funcionando. Pode lhe parecer chocante, mas seu e-mail, seu aplicativo de mensagens instantâneas, seu serviço e/ou site preferido de rede social e tudo o mais o que você possa imaginar e que esteja disponível na Internet, depende de seres humanos para existirem e continuarem funcionando.

Os profissionais de tecnologia (porquê “profissionais de TI” e tão semana passada) são essenciais na sociedade moderna. E, mesmo assim, frequentemente nos esquecemos dos mesmos. Quando exigimos suporte via e-mail, mensagens instantâneas, telefone ou qualquer outro meio, nos irritamos quando nossas exigências não são prontamente atendidas. Nesse momento, e somente nesse momento, nos lembramos que existem pessoas por trás dos serviços.

Devemos nos lembrar que empresas são objetos. Paredes, mesas, cadeiras, papéis e outros objetos que, se não existissem, ainda assim, não seriam razões para impedir que uma pessoa conseguisse fazer algo bem feito e atingir um objetivo. A empresa, o local de trabalho, lhe fornece ferramentas, a pessoa é que fornece o trabalho. E as ferramentas não são todas essenciais, mas as pessoas, por outro lado, sempre são essenciais.

Vemos diariamente inúmeros exemplos de pessoas descontentes com seu trabalho. Começo a notar que, dentre outras razões, uma das principais razões para que isso aconteça é o fato de que as pessoas com as quais as mesmas interagem começam a esperar das mesmas ações e perfeição em um nível que os tornaria características inerentes de máquinas, não de seres humanos.

O Google não é legal. As pessoas que trabalham no Google são legais. A sua tecnologia preferida, sem a qual você não pode mais viver, não é perfeita. As pessoas que a criaram e que a mantém funcionando são os culpados por você acreditar que essa tecnologia preenche sua vida e a torna mais interessante. Essas pessoas é que trabalham para que você possa ter uma vida melhor.

Essas pessoas merecem boas condições de trabalho, o que nem sempre significa ter um computador mais novo ou acesso a uma nova tecnologia. Por vezes, oferecer melhores condições de trabalho significa simplesmente ser mais amigável, compreensível, mais humano.

Não cometer erros comuns ao lidar com essas pessoas é essencial, mas a maioria das empresas nas quais essas pessoas trabalham pecam em cometer esses mesmos erros. São coisas simples, óbvias para a maiorias dessas pessoas e, por isso, por vezes as mesmas se encontram em situações difíceis, pensando em como esse tipo de problema, que poderia ser evitado de maneira tão óbvia para as mesmas, ainda assim ocorre e constantemente as vitimam.

Dicas de como tratar bem seus nerds/geeks existem aos montes por aí. Se você não segue essas dicas, que lhe são dadas pelas próprias pessoas que sofreram em ambientes que lhes levaram a criar essas cartilhas de boa convivência, na visão das pessoas que sofrem com esses problemas, você não é um observado muito bom. E, talvez, você esteja prestes a perder essas pessoas.

E, infelizmente, ao contrário do que se imagina, dificilmente será possível conseguir pessoas como a que será perdida, ao contrário de objetos inanimados de escritório, que existem aos montes por aí e, estes sim, podem ser ignorados.