Archive

Archive for the ‘goodtimes’ Category

Como não se dar mal : pergunte-me como!

February 6th, 2010 6 comments

Uma das coisas que sempre me questionei na vida foi porque os adultos insistiam tanto em coisas que, à época, em minha infância, pareciam tão exageradamente chatas.

Seja uma boa pessoa. Seja educado. Estude. Não tenha vícios. Não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem. Coisas obviamente chatas e nada interessantes quando estamos no início de nossas vidas.

Na época adolescência nos parecem ainda pior, uma vez que nessa época estamos atolados de hormônios ocupando o lugar do cérebro e tendemos a agir de forma insana muito facilmente.

Quando você começa a entrar na vida adulta, começa a sentir uma dificuldade imensa em entender tudo. A vida passa a ficar bem mais complicada e tudo parece algo extremamente complicado e de outro mundo.

É natural, já que você passa a ter que se comportar e agir como adulto caso queira ser respeitado e ter chance de conseguir algo na vida. Ninguém gosta de um “adultocente” (um adulto com comportamento adolescente), por mais que digam o contrário e que possa lhe parecer “cool” ter sempre uma atitude jovem.

Ter um espírito jovem não significa fazer as mesmas bobagens que você fazia na adolescência, com toda a falta de experiência e todos os hormônios que podiam ser utilizados como desculpa. Parece óbvio, mas muito gente não entende isso.

Aliás, muito gente não entende conceitos básicos. Aliás, muita gente parece ter que ser agredida fisicamente para começar a fazer os neurônios funcionarem no tranco, dada a quantidade de bizarrices e vidas desperdiçadas que vemos por aí.

O problema principal é que as pessoas parecem utilizar o cérebro somente esporadicamente. Sério, esse monte de peso que você possui dentro de sua caixa craniana não está aí somente para fazer peso. Use-o.

O ser humano possui habilidades espantosas, mas  existem pessoas que atendem o instinto selvagem de forma tão rápida e conseguem acionar seus orgãos menos intelectuais de forma tão fácil que parecem nem precisar ter um cérebro para acioná-los.

Infelizmente, mesmo sabendo que o cérebro é o que comanda todos os outros membros e orgãos do corpo e por isso é utilizado quase que inconscientemente de forma constante, as pessoas parecem esquecer que ele existe, na grande maioria das vezes.

Voltando ao assunto dos conselhos paternos, na vida adulta você começa a ter lampejos de entendimento do significado dos mesmos. Ainda os tem como chatos, mas entende que são necessários.

Nossos pais não nos diziam detalhes indicando a razão de você realmente ter que seguir seus conselhos simplesmente porque não estávamos preparados intelectualmente para entendê-los.

O mais lamentável é que, na vida adulta, muitas pessoas continuam parecendo não ter a capacidade intelectual de entendê-los. Não é culpa do cérebro. Como um orgão, ele precisa ser exercitado ou fatalmente irá atrofiar.

E não há uma forma de exercitar o cérebro senão consumindo cultura. Lendo, escrevendo, vendo filmes interessantes, discutindo sobre questões importantes, conhecendo opiniões e pontos de vista e compartilhando suas opiniões e pontos de vistas. Tudo isso exercita o cérebro.

Da mesma forma que sentimos dor nas pernas e nos braços quando vamos à academia em uma primeira vez, não é fácil iniciar sua vida cultural. Felizmente, da mesma forma que seu corpo se adapta aos exercícios e passa a suportar cargas mais intensas, seu cérebro se alimenta da cultura e passa a solicitar mais.

De forma similar aos exercícios, cultura também faz bem a saúde, mais especificamente a sua saúde mental. E todos sabemos que somente exercitar um em detrimento do outro não é uma boa idéia. Mente sã, corpo são.

O que é difícil de entender é que as pessoas da sociedade atual possuem a sua disposição uma ferramenta global, altamente útil e repleta de todas as forma de cultura como a Internet e não a utilizam.

Óbvio que se você está lendo este texto você utiliza a Internet, visto que não teria acesso ao mesmo de outra forma. É importante notar, no entanto, que ter acesso a Internet não necessariamente significa que você realmente a utiliza, que você realmente tira algum proveito da mesma.

Claro, com a Internet se tornando nossa segunda casa, nada mais natural do que se divertir com a mesma, procurando distrações e humor. Mas a Internet não serve somente para bater papo com seus amiguinhos e alimentar seus pequenos animais em suas minúsculas fazendas virtuais.

Você tem a disposição uma quantidade virtualmente infinita de informações sobre virtualmente qualquer assunto. Me espanta as pessoas ainda procurarem cursos e treinamentos nos dias atuais, quando tudo o que se precisa pode ser encontrado online.

Obviamente, é necessário foco para não se distrair e passar o tempo todo consumindo conteúdo inútil, mas o conteúdo relevante e útil está disponível e facilmente acessível. Na maioria das vezes, de forma gratuita.

É incompreensível ver pessoas reclamando de falta de oportunidades, se lamentando por não conseguirem um emprego ou uma promoção devido a não conhecerem um assunto específico ou mesmo pagando caros centros de ensino para tentarem adquirir conhecimento que já está livremente e gratuitamente disponível na Internet.

Uma pesquisa de 5 segundos, seguida de um clique de botão lhe separam da maioria do conhecimento que você precisa. Tecnologias atuais lhe permitem emular ambientes de tecnologia complexos nos quais virtualmente qualquer tipo de solução pode ser testada.

Nunca foi tão fácil ser autodidata. É só ter um pouco de força de vontade e perder alguns minutos e você certamente consegue encontrar qualquer coisa que precisar, bem como aprender sozinho o que precisa ou tem vontade de aprender.

Quanto mais você aprende, mais compreende a imensidão de assuntos interessantes e mais tem vontade de aprender. Seu cérebro lhe agradece, sua saúde lhe agradece, seus familiares e amigos lhe agradecem, a sociedade lhe agradece e você passa a ter a capacidade de entender que, lá na infância, os conselhos que seus pais lhe davam são totalmente relevantes.

São formas simplificadas de lhe dizer que você pode ser feliz e que, para isso, é só seguir as pistas que a vida lhe dá gratuitamente. Tudo e todos com os quais você tem contato formam sua vida e fazem parte da mesma.

Você começa aprendendo com as mais próximos, seus pais, e continua seguindo as dicas que lhe são dadas continuamente, mesmo que indiretamente, até o final de sua vida. A isso damos o nome de evolução.

Relembrando os velhos tempos

September 28th, 2006 No comments

Como eu já havia dito em meu último post, hoje estou em casa para me recuperar melhor do problema em meu braço esquerdo. Ele já está quase bom e, a menos que algo de muito ruim aconteça esta noite, amanhã volto ao trabalho. Bate na madeira :-)

Com o braço quase bom, consigo digitar sem ter muitas dores e, por isso, resolvi sentar e começar a ler meus e-mails pessoais e responder alguns que estavam parados esperando resposta há tempos. Recebi um e-mail de um amigo que conheci há tempos através de um serviço em um cliente e com o qual não conversava há muitos meses.

Esse amigo comentou que deveríamos trocar mais idéias e eu resolvi responder o e-mail dele, deixando os outros antigos ainda na fila de espera. Peço desculpas aos prejudicados, ainda vou responder um dia. Conversa vai e conversa vem, acabamos meio que fazendo uma sessão de quase IM. Quase porque na verdade foi tudo via e-mail.

Comentou que havia adquirido um laptop e estava pensando em trocar a distribuição GNU/Linux que ele usava até então. Também comentou que talvez seria o caso de utilizar Debian. Fiquei surpreso pois ele era um usuário bastante convencido de outra distribuição (não convém citar a distribuição aqui para não gerar flames).

Comecei a perguntar porque ele pensava em usar Debian, quais eram os problemas que ele tinha com a distribuição atual. Com isso, eu queria tentar entender como as coisas funcionam em outras distribuições através de relatos de usuários experientes da própria distribuição e não através de achismos ou conclusões precipitadas e possivelmente erradas.

Foi legal entender os motivos a favor e contra o uso de uma outra distribuição ouvindo as experiências reais de um usuário dessa outra distribuição. Ele se mostrou interessado pelo Debian e eu expliquei algumas coisas sobre o projeto e a distribuição. Parece que ele gostou. Mas, para mim, o mais importante foi eu aparentemente ter conseguido despertar um interesse ainda maior sem precisar recorrer a nenhum argumento que colocasse em foco as deficiências da outra distribuição.

Aliás, isso é algo que sempre tento evitar. Cada vez me convenço mais de que um usuário ganho através de conversa, camaradagem e ajuda, um usuário ganho fazendo com que o pŕoprio usuário tome sua própria decisão, só fornecendo informações honestas (o que significa também reconhecer os pontos fracos do lado que você está defendendo) e imparciais é um usuário melhor ganho do que aquele usuário que é ganho através do uso de comparações que menosprezam outras distribuições.

De qualquer forma, a troca de mensagens me fez lembrar de meus tempos antigos, quando respondia uma quantidade de mensagens bem maior do que a quantidade de mensagens que respondo hoje, tentando de alguma forma atuar como um pseudo-ativista na busca de novos usuários, mesmo que meio inconscientemente.

E dessa vez foi uma conversa produtiva e interessante porque o usuário em questão já era um usuário experiente e por isso não precisei tentar evitar termos muito técnicos. Sem contar o fato de que é sempre um sentimento muito bom ver um usuário tendo interesse inicial pela mudança e podendo ajudar de alguma forma quando esse usuário já é um usuário experiente em outra distribuição.

Prova que Debian é uma ótima escolha e tem qualidades o bastante para poder influenciar uma mudança de idéias em pessoas que já haviam feito sua escolha e não haviam considerado Debian da última vez.

Categories: DebianBR, Portuguese, activism, goodtimes Tags: