Leopard vs Java : o perigo de se espalhar informações incorretas

November 6, 2007 on 11:32 pm | In Rants, macosx | No Comments


Estive lendo algumas notícias e me deparei com um post que critica o fato da Apple não ter incluído suporte a Java em sua nova versão do Mac OSX, a versão 10.5, também conhecida pelo codinome de Leopard. Tico e teco se bateram por um milésimo de segundo e logo pensei : Opa, perái! Não existe nada de fato nessa história toda.

O fato real é que a Apple não inseriu suporte a Java 1.6 no Leopard, mas o suporte a Java 1.5 está incluso. E algumas pessoas inclusive acreditam realmente que o suporte incluso foi um avanço se comparado ao suporte anteriormente existente na versão anterior do Mac OSX, a versão 10.4, codinome Tiger.

E isso me custou apenas dois minutos de pesquisas no grande oráculo pai dos burros e a leitura dos primeiros comentários do post em questão já demonstraram que, hoje em dia, postar algo para conseguir audiência sem checar os fatos realmente não é lá uma boa estratégia. Seus leitores rapidamente vão desbancar qualquer fato incorreto em seus textos, tenha certeza.

Os desenvolvedores Java podem sim estar descontentes com a Apple devido a mesma não ter incluído suporte para o que há de mais atual relacionado a tecnologia Java na última versão de seu sistema operacional, mas daí a dizer que nenhum suporte a Java foi incluído é um estrada com centenas de milhares de quilômetros de distância.

O artigo em questão inclusive diz que seria bom se a Apple mudasse sua atitude e suas relações com a comunidade de desenvolvedores e incluísse suporte oficialmente a outras linguagens além de sua preferida, Objective-C. O que o autor do post não percebeu é que, além de ter errado no caso do Java, ele errou feio nesse caso também.

Novamente, dois minutos de pesquisa nos leva a suscinta (mas informativa o bastante para nossos propósitos) seção sobre tecnologias Unix existentes por baixo da interface polida do Leopard. Lá, podemos conferir que, iniciando com o Leopard, existe agora suporte oficial, fornecido junto ao sistema operacional, para linguagens de script como Ruby e Python, inclusive com suporte específico nas ferramentas de desenvolvilmento da Apple, como o Xcode, por exemplo.

Não, eu não sou um fanboy da Apple e não, não recebi nenhum pagamento para escrever em defesa da mesma. Longe disso, eu não concordo com um caminhão de coisas que a Apple faz e estou longe de passar a sequer centenas de quilômetros perto da folha de pagamento da Apple, mas eu simplesmente me dei ao trabalho de pesquisar algo em torno de dez minutos antes de escrever esse post e checar alguns fatos antes de escrevê-lo.

Moral da história : cuidado com o que você lê por aí. Cheque os fatos e não saia por aí reproduzindo histórias sem antes checar realmente se elas condizem com a verdade. Você pode estar, menos sem ter a intenção, queimando sua credibilidade junto a seus leitores.

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echnorati

Green IT : o que o software livre está fazendo para dar sua contribuição

October 31, 2007 on 12:28 am | In DebianBR, macosx, powermanagement | No Comments


Não, Green IT não significa tecnologia da informação marciana (aliás, por quê diabos não acabamos com essa idéia de que marcianos são verdes ?). Trata-se de uma nova tendência, que vem surgindo junto com a necessidade cada vez mais crescente de economia de recursos naturais e controle do clima mundial para que logo todos nós não tenhamos que ir para o buraco, literalmente.

A idéia é não somente se preocupar com sistemas melhores, mais rápidos e mais baratos, mas também com sistemas com responsabilidade ambiental. Dê uma lida no link citado anteriormente, a idéia é interessante e qualquer iniciativa no sentido de economia de energia, recursos naturais, evitar a produção de lixo eletrônico, que leve em consideração os efeitos na saúde e na produtividade dos usuários, em tempos de discussões sobre aquecimento global acaloradas, é louvável. O planeta agradece.

Mas o que o software livre pode fazer para ajudar ? Como citei em um post anterior, minha experiência com um ponto bastante prático e visível para o usuário relacionado a esse assunto, o tempo de duração de bateria de notebooks, não foi muito feliz. Consegui um tempo de duração de bateria bem inferior em GNU/Linux se comparado ao uso do MacOSX no mesmo hardware. Pouco mais de 5 horas em MacOSX e pouco mais de 3 horas em GNU/Linux.

Porém, logicamente, isso já era de se esperar, uma vez que, no caso do MacOSX, o hardware e o software foram feitos um para o outro, pelo mesmo fabricante/desenvolvedor. Seria espantoso ter um tempo de duração de bateria maior em GNU/Linux, nesse caso. Mas não custa sonhar, certo ?

Felizmente, o sonho pode se tornar realidade em um futuro não muito distante. Algo me diz que daqui há um ou dois anos será engraçado ler esse post e imaginar que tínhamos um rendimento tão inferior em softwares livres se comparado aos softwares proprietários em relação e economia de energia. Por quê digo isso ? Ora, é óbvio :-) Veja os sinais que estão surgindo por todos os cantos.

Repare nos inúmeros projetos relacionados a economia de energia que andam pipocando em todos os cantos. Apesar de ainda existir muito a ser melhorado, uma boa parte do que é necessário nas camadas mais baixas, lá nas entranhas do kernel, já está implementado com o suporte a dynticks e kernels tickless, que permitem que, dados softwares bem comportados, a CPU seja acordada uma quantidade de vezes bem menor do que o habitual.

Com uma quantidade menor de interrupções ocorrendo, o sistema como um todo tem a oportunidade de ficar mais tempo no estado idle (lá paradão, desocupado) e, consequentemente, podemos dispor de vários recursos para fazer com que a CPU passe de um estado ACPI para outro, no qual uma quantidade menor de energia seja consumida.

Ted Tso, conhecido kernel hacker conhecido por desenvolver, entre outras coisas (incluíndo estar envolvido na equipe original que projetou o Kerberos no MIT), os sistemas de arquivos ext2 e ext3 (e estar trabalhando no ext4), blogou sobre a questão da economia de energia para usuários de laptops usuários de GNU/Linux. Vale a pena a leitura.

Em seu post, Ted nos fornece uma visão geral de como está atualmente a questão do gerenciamento de energia no kernel Linux, compara a situação atual com o estado desse suporte no kernel há poucos anos atrás e indica que o futuro parece promissor, apesar de ainda faltar muito para ser feito para que consigamos ter um subsistema de gerenciamento de energia invejável aos sistemas operacionais proprietários.

É interesse ler também as reações ao post de Ted. Pavel Machek, outro kernel hacker, em um post curto em seu blog responde a alguns dos pontos levantados por Ted em seu post original e nos informa que diversos problemas apontados por Ted já estão em vias de serem resolvidos e alguns desses problemas, como a questão da suspensão de dispositivos USB e o problema dos mesmos relacionado ao consumo elevado de ciclos de processador, já estão resolvidos em kernels mais recentes.

Pavel também fornece várias dicas de como economizar ainda mais energia com algumas configurações simples. Aliás, por falar em dicas para economia de energia, como Ted citou em seu post original, a referência mais importante atualmente é o site lesswatts.org, site oficial do utilitário powertop, lançado pela Intel para auxiliar usuários e desenvolvedores a descobrir quais aplicações consomem mais energia em seus sistemas, fornecendo dicas de configurações que podem ser aplicadas para diminuir o consume de energia de sistemas baseados no kernel Linux.

Lógico que, como Ted citou em seu post, hoje em dia ainda são necessários muitos passos e muitas configurações manuais para conseguir um bom índice de economia de energia. Mas com o tempo e com a infraestrutura para gerenciamento de energia no kernel sendo melhorada, além dos drivers/módulos para dispositivos sendo atualizados para fazer uso dessa infraestrutra, a tendência é que a quantidade de configurações manuais requeridas diminua e esse tipo de ajustes provavelmente seja mais simples de ser feito, possivelmente com alguns deles até mesmo sendo feitos automaticamente pelo próprio kernel em conjunto com drivers/módulos mais inteligentes.

Eu torço para que isso aconteça e, pessoalmente, não vejo a hora de testar o futuro kernel 2.6.24, por enquanto ainda em desenvolvimento, que trará suporte a dynticks para arquitetura x86-64 e provavelmente fara meu MacBook rodando GNU/Linux competir de igual para igual com o MacOSX no mesmo hardware :-)

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echnorati

Sobre felinos, (in)competência e “Fazer a Coisa Certa(tm)”

October 27, 2007 on 8:45 pm | In DebianBR, macosx, therightthink | 11 Comments


Quem diria ? Eu, que vivi quase toda minha existência digital focado em software livre, atraído pelo lado negro da força. Não o lado completamente negro, mas, digamos, um lado cinza.

Comecei a computar lá pelos idos de 1995. Dois anos depois, 1997, lá estava eu com meu sistema em dual-boot usando aquele sistema operacional que todos conhecemos e que mais de 90% das pessoas do mundo todo insistem em usar, mais GNU/Linux em outra partição do meu saudoso disco. Alguns meses depois, lá estava eu, 100% GNU/Linux. E tem sido assim desde então.

Há mais ou menos dois meses atrás (diacho, foi antes de 1 de Outubro), eu estava procurando por um substituto para meu fiel companheiro, meu antigo (e, agora já não mais comigo) laptop, um Compaq NX9005, o qual rodava minha venerável cópia da versão de desenvolvimento do Debian GNU/Linux (como de praxe em todas as minhas máquinas pessoais que não atuam como servidores).

Eu sabia que dessa vez queria um laptop pequeno, de 12 ou 13 polegadas no máximo. Teria que ser uma máquina com uma configuração de hardware razoável para os padrões atuais, pequena, leve e com bastante tempo de duração de bateria. Não precisaria ser algo muito potente, porque para compilar as coisas eu tenho meu desktop doméstico mais parrudo.

Passei alguns dias procurando e, certo dia, visitando a seção de informática do Submarino, me deparei com uma promoção de notebooks da Apple. Me deparei com máquinas com nomes pomposos, como MacBook e MacBook Pro. Resolvi pesquisar sobre eles e me muni de informações sobre do que se tratariam. Depois de pesquisar bastante, descobri que um MacBook (não o MacBook Pro) seria uma opção interessante.

Promoção no Submarino, pagamento em 12 vezes sem juros, aquele notebook branquinho, bonito e pouco juízo na cabeça foram os ingredientes perfeitos para concretizar a besteira. Lá estava eu com uma dívida de 12 meses no cartão de crédito e proclamando palavras de baixo calão ao me referir ao prazo de entrega do Submarino-pós-compra-pela-Americanas.com, que de 1 dia útil só tem o nome.

Uma semana depois, lá estava eu com a razão das minhas dívidas em mãos. Comecei a brincar com o bichinho. A idéia era instalar Debian nele o mais rápido possível, mas como eu havia acabado de chegar do trabalho e já era meio tarde da noite, decidi fuçar o MacOSX e deixar a tarefa de instalar o Debian para o próximo dia.

Sábia decisão. Pouco tempo de brincaderia e eu já estava decidido que queria dual-boot entre MacOSX e Debian e tem sido assim desde então. Tenho dividido meu tempo entre o uso do MacOSX e de GNU/Linux (Debian) e, sinceramente, não tenho do que reclamar.

A máquina é rápida, leve, silenciosa, estável, bonita, tem um tempo ótimo de duração de bateria (mais de 5 horas usando MacOSX e pouco mais de 3 horas usando Debian) e não tive problema algum com a mesma desde quando a adquiri. Lógico, a Apple é a próxima Microsoft e o mundo vai acabar amanhã, mas estou gostando disso.

Não abandonei o software livre. Longe disso, ainda trabalho 100% com software livre, dou suporte a e administro dezenas de servidores GNU/Linux (em sua maioria Debian) e minha estação de trabalho tanto na empresa quanto meu desktop doméstico rodam Debian, mas o MacOSX me deixou bastante satisfeito.

Ele é um misto de muita coisa boa que existe em software livre (kernel Darwin, baseado no FreeBSD, com muita coisa Unix/Linux por debaixo da interface bonita : bash, vim, OpenSSH, Apache, BIND, etc, etc) com uma interface proprietária muito bonita e agradável de se utilizar. Usar o hardware da Apple com o software da Apple é uma experiência e tanto.

Experiência tão boa que me levou a cogitar, na primeira vez na vida, a idéia de comprar software. Sim, pode ser ideologicamente considerado errado por muitos (e eu concordo parcialmente), mas o fato é que eu não tinha até então encontrado nenhum software proprietário/pago que tivesse qualidade o bastante para me fazer pensar em pagar pelo mesmo.

Eu simplesmente não usava. Não valia a pena, na minha opinião. Com o MacOSX a história foi outra. Me impressionou tanto em termos de satisfação que eu realmente decidi comprar uma cópia do MacOSX 10.5 Leopard, lançado mundialmente ontem, 26/07/2007. Não é barato, mas também não é tão caro se comparado o outros sistemas operacionais proprietários.

O problema é que, mesmo teoricamente tendo sido lançado mundialmente ontem, estamos no Brasil. A Apple Brasil alardeou que aceitaria compras do Leopard simultaneamente com toda as lojas da Apple em todo mundo. Fiquei feliz, sem contar que o preço é basicamente o mesmo preço da matriz americana, só com a conversão de valores em dólares para reais.

O problema é que, como muitos usuários de Mac amargamente ficaram sabendo, a Apple Brasil está somente aceitando as compras, mas não necessariamente entregando o produto. Os revendedores autorizados nem mesmo tem o produto em estoque e alguns nem mesmo sabem quando o terão, enquanto os que tem alguma idéia da disponibilidade dão previsões de entrega para daqui a 20 dias.

Compare isso com o restante das representantes da Apple no mundo, que começaram a aceitar encomendas antes do lançamento oficial ontem e já entregaram os produtos ontem mesmo. Nem mesmo se eu quisesse ter o trabalho de ir até uma loja e comprar pessoalmente o produto eu teria sucesso. Como eu disse, ninguém possui o produto em estoque.

Como faz falta uma Apple Store oficial aqui no Brasil. Mesmo com a Apple Brasil aqui, o que temos são somente revendas autorizadas, não Apple Stores, as lojas oficiais gerenciadas pela própria Apple. Elas existem em inúmeros países ao redor do mundo, mas não aqui no Brasil. Existem rumores da abertura de uma Apple Store em um shopping em São Paulo, mas, ao menos por enquanto, são somente rumores.

Até lá, nós, meros mortais brasileiros que queremos estar dentro da lei e comprar o produto continuamos esperando. Isso já seria motivo para alimentar a pirataria, você pode imaginar. O interessante é que usuários Apple parecem ser mais conscientes do que é certo e o que é errado em comparação com usuários de outros sistemas operacionais proprietários.

Digo isso porque estou participando de uma lista de discussão nacional de usuários de MacOSX e a conversa atual na lista é o fato da indisponibilidade do Leopard para usuários brasileiros. Tirando poucos (me recordo de apenas um usuário ter citado a possibilidade, não que o fez), a esmagadora maioria realmente está interessada em comprar o produto e não a recorrer a redes de compartilhamento de arquivos para obtê-lo de maneira ilegal.

Compare isso com usuários daquele outro sistema operacional. Esses usuários tem a sua disposição a última versão do sistema operacional que utilizam já há algum tempo, mas todos que o utilizam e que conheço não pagaram pelo mesmo. Usam cópias piratas, peripécias das mais diversas e mais uma dúzia de truques esdrúxulos para transformarem suas cópias piratas em cópias originais, se que você me entende.

Usuários Mac, por outro lado, estão dispostos a pagar pelo software. Mas, pasmem, ninguém está disposto a vender o software aos mesmos. E esse pessoal, ao invés de correr para as redes de compartilhamento de arquivos e obtê-lo de forma ilegal, simplesmente prefere esperar pela disponibilidade do software em terras tupiniquins e comprá-lo legalmente.

Eu sei que não deveria ficar surpreso com isso e que essa deveria ser a maneira certa das coisas funcionarem, mas, ei, estamos no Brasil. Estou falando do país dos espertos. Do país dos políticos mais odiados e com mais razão para serem odiados do mundo, que diariamente dão razão para os cidadãos agirem de forma errada.

Felizmente, parece que existe esperança para a humanidade além das fronteiras do software livre. Será que nosso software, lentamente infectando a base dos felinos da Apple, conseguiu implantar um pouco de consciência nas mentes dos seus usuários ?

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echnorati

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