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A palavra, a verdade e a mentira : quando utilizá-los ?

March 6th, 2010 2 comments

Somos tão idiotas. Não dizemos o que pensamos e não pensamos no que dizemos. Se soubéssemos dizer o que pensamos de forma seletiva serial maravilhoso.

Seria interessante se soubéssemos dizer o que pensamos quando isso é realmente importante, mas não quando isso pode potencialmente nos trazer resultados indesejados.

Obviamente, existem momentos em que é possível pressentirmos que dizer o que pensamos pode trazer resultados indesejados e é em momentos como esses que devemos nos conter.

Porém, existem momentos em que é praticamente impossível saber ao certo o que ocorrerá se dissermos o que realmente pensamos. Tanto pode ser um retorno desejável quanto podemos ter um péssimo retorno, completamente contrário ao o qual realmente esperávamos.

Talvez seja por isso que a maioria das pessoas acabam deixando de dizer o que realmente pensam, exatamente para evitar possíveis resultados indesejados.

Temos medo. Essa é a verdade. Não necessariamente medo da palavra, do ato de dizer, mas sim das consequências resultantes de nosso hipotético ato de usar a verdade.

Temos medo de machucar as pessoas ou mesmo de afastá-las, de forma que nosso contato com as mesmas fique prejudicado ou mesmo impossibilitado.

É impossível saber ao certo se o pensamento do receptor de nossas palavras está em sintonia tão boa com nosso pensamento a ponto do mesmo entender a mensagem da forma como a imaginamos.

É comum o contrário acontecer, ou seja, tentarmos flertar com a idéia de dizermos o que pensamos e a mensagem ser compreendida de forma completamente diferente da forma inicialmente intencionada.

Poderíamos encurtar todo o processo e tornar a vida muito mais simples para todos, simplesmente nos privando de ocultar a verdade e tornando nossas idéias públicas, de forma que as mesmas passassem a ser transmitidas da forma mais sincera possível.

Infelizmente, não somos evoluídos o bastante para nos permitir esse exercício de sinceridade. Os mais intelectualmente evoluídos provavelmente iriam nos odiar. Odiariam aqueles de nós que simplesmente tivessem optado por utilizar a verdade.

Assuma sua idiotice e salve a humanidade

February 15th, 2010 No comments

A menos que você seja um adolescente ou tenha sérios problemas para se desvencilhar dessa época de sua vida, você certamente já deve ter compreendido que não conseguirá aprender tudo.

É impossível uma única pessoa, por mais inteligente que seja, conseguir aprender tudo em seu relativamente curto tempo de vida. Na verdade, você não precisa saber tudo. Nunca precisou. Isso nunca foi e nunca lhe será exigido.

Porém, como humanos, raça extremamente pouco evoluída, ainda temos um instinto primário que nos leva a acreditar que podemos fazer tudo, lidar com qualquer situação, resolver qualquer problema e ter as respostas para qualquer pergunta.

Muitos reconhecem isso como arrogância, pretensão ou soberba. Eu acredito que possa sim existir uma pitada desses sentimentos envolvida, mas acredito que o ser humano provavelmente deve ter algo próprio de sua raça que o faça agir dessa forma nas mais variadas situações.

Muitos irão citar um longo caminho ainda a ser trilhado em nosso crescimento espiritual no objetivo de nos tornarmos seres melhores. Eu não conheço nada de espiritualismo e não estou envolvido com nada relacionado e, portanto, não posso comentar, mas gostaria de poder confiar que um dia poderemos nos livrar dessas imperfeições.

O fato é que nos parece comum faltarmos com a verdade em relação a nossos conhecimentos e nossa capacidade de lidar com um desafio e/ou situação complexa. Por vezes assumimos que podemos lidar com algo que nem mesmo temos idéia do que seja, confiando que provavelmente conseguiremos, de alguma forma, chegar a uma conclusão satisfatória.

Muitas vezes conseguimos, mas é comum observar situações constrangedoras e difíceis de serem solucionadas somente porque alguém acreditou que seria capaz de assumir uma responsabilidade muito grande relacionada a algo para o que não estava preparado.

Uma forma de evitar isso é, primeiramente, tentar evitar o complexo de super-homem/super-mulher e acreditar que consegue dar conta de tudo. Obviamente, isso é impossível e não é somente porque achamos que não o seja que realmente o deixará de ser.

Estive lendo um ótimo texto (encontrado em uma indicação de @fzero via Twitter) no qual o autor cita que o conhecimento humano pode ser dividido basicamente em três grandes grupos : o que você sabe que sabe, o que você sabe que não sabe e o que você não sabe que não sabe.

O que você sabe que sabe é simples e engloba todo o conhecimento que vocẽ tem certeza que possui. Pense em qualquer coisa que você possa responder com propriedade e exatidão prontamente quando questionado. Isso é o que você sabe que sabe.

Mais importante do que o conhecimento que você sabe que sabe é o conhecimento que você sabe que não sabe. Basicamente, é estando ciente que você não sabe sobre um determinado assunto que você se livra de problemas maiores, evitando situações e/ou tarefas para as quais você sabe que não está preparado.

Porém, o terceiro grupo, o conhecimento que se encaixa no grupo do que você não sabe que não sabe é o mais importante dentre esses três grandes grupos citados.

O conhecimento que se encaixa no grupo do que você não sabe que não sabe é a grande armadilha pela qual você por vezes se deixa ser pego. Pense nas diversas situações em que você não tinha certeza se sabia sobre algo e optou por assumir uma responsabilidade relacionada a isso.

Situação comum : uma reunião, você sendo questionado sobre um assunto que você não domina, mas que você acredita não ser tão complexo e, instintivamente, decide não ser tão complexo a ponto de ser um impeditivo para o avanço de um determinado projeto.

Você simplesmente assume que conseguirá lidar com o problema e, talvez por ter passado por situações e/ou problemas semelhantes anteriormente, por comparação, deixa o projeto prosseguir acreditando que o ponto em questão pode ser solucionado de forma trivial.

Pouco tempo depois, após a reunião, você descobre que o ponto em questão é extremamente complexo e demandará mais pessoal, equipamento ou verba do que você havia imaginado, claramente caracterizando um ponto crítico e de alta importância, o qual não deveria ter sido assumido como simples.

Pessoalmente, nunca passei por situações como essa, mas já cheguei a estar muito próximo das mesmas (e, felizmente, consegui evitá-las) e presenciar situações constrangedoras pelas quais pessoas que assumiram saber sobre algo e não sabiam passaram.

O autor do texto citado anteriormente cita que o mais importante não é você somente saber muito, mas sim ter ciência do que você não sabe e, ainda mais importante, tentar evoluir no sentido de, cada vez mais, manter o conhecimento do grupo que você não sabe que não sabe mínimo.

Veja bem, a idéia não é simplesmente absorver todo o conhecimento existente, o que sabemos ser impossível, mas sim tentar manter o grupo de conhecimento das coisas que você não sabe que não sabe pequeno, seja tomando ciência de que você não sabe sobre algo e, portanto, adicionado esse conhecimento a lista das coisas que você sabe que não sabe ou realmente aprendendo sobre isso, o que o adicionaria na lista das coisas que você sabe que sabe.

A idéia é agir defensivamente, no intuito de não causar danos a você ou a terceiros tentando se meter com assuntos que você certamente não conhece ou, pior ainda, com assuntos que você nem mesmo tem certeza se não conhece.

Não é feio e nem proibido assumir que você não conhece sobre um determinado assunto, visto que, conforme já citado, é impossível para qualquer ser humano saber tudo sobre todos os assuntos.

Nem mesmo aquela pessoa super inteligente que você conhece e acredita ter a resposta para todas as perguntas sabe realmente tudo sobre todos os assuntos.

Muitos sabem muito sobre um assunto ou sobre um grupo de assuntos específicos, mas provavelmente sabem pouquíssimo ou mesmo nada sobre outros assuntos totalmente não relacionados. É normal, não devemos nos sentir ruins por não sabermos tudo.

O mais importante é, novamente, não tentarmos esconder nossos sentimentos e esconder ou camuflar esse desconhecimento, assumindo riscos desnecessários, os quais provavelmente irão gerar situações muito mais complexas e difíceis de serem solucionadas posteriormente.

É preferível passar por cima do ego e perguntar sobre algo que não se conhece, o que por si só já ajuda a aumentar a lista dos conhecimentos que você sabe que sabe, do que não perguntar e fingir que sabe.

Eu tenho um comportamento que muitos acreditam ser ruim, mas do qual não pretendo me livrar tão cedo : ser pessimista. Sim, eu sempre assumo o pior cenário e trabalho no sentido de estar preparado para o pior.

Pode ser algo psicológico, mas posso garantir que esse comportamento me livrou de muitos problemas. Não queira assumir uma grande responsabilidade sem estar ciente e preparado para todos os riscos que a mesma possa trazer.

Pesquise, questione, aprenda, transfira conhecimento, certifique-se de que todos os envolvidos estejam cientes dos desafios, dos possíveis problemas, dos riscos envolvidos e das formas imaginadas para contornar essas dificuldades.

Lembre-se que é perfeitamente possível ninguém de sua equipe ter levantando uma questão para a qual a resposta ainda se encontre pendente em sua cabeça simplesmente porque se trata de um conhecimento que todos os envolvidos não sabem que não sabem.

Você também pode não saber a resposta, mas ao menos poderá contribuir fazendo com que os envolvidos retirem esse conhecimento de suas listas das coisas que não sabem que não sabem e o adicionem a lista de coisas que sabem que não sabem, onde o mesmo é bem menos perigoso.

Obviamente, tendo ciência da existência da questão pendente, todos poderão trabalhar juntos em uma forma de solucioná-la e trazê-la para a lista de conhecimentos que o grupo como um todo sabe que sabe.

Eu passei por inúmeras situações em que fui considerado inteligente e/ou capaz/competente não por dar uma solução para um problema, mas sim somente por ter apontado problemas que detectei e não foram detectados por outros.

Novamente, é uma prova de que simplesmente aumentar a quantidade de conhecimentos que você sabe que sabe não é o único ponto importante em sua vida, mas sim também aumentar a lista de conhecimentos que você sabe que não sabe, através da diminuição da lista dos conhecimentos que você não sabe que não sabe.

Seu cérebro como produto : prepare sua vitrine

February 8th, 2010 No comments

Atualmente, vivemos uma fase de transição um pouco complexa, nebulosa e indefinida. Provavelmente já houveram fases semelhantes em outras épocas, uma vez que tudo no mundo é cíclico.

Não somos mais a geração Coca-Cola, não somos a geração das grandes guerras (apesar das guerras ainda existirem, em menor escala, mas não em menor número de vítimas), não somos a geração de coisa alguma.

Nada assustadoramente grande e importante aconteceu em nossa geração. Aliás, eu nem faço parte da geração atual, já que não sou adolescente há um bom tempo, mas prefiro simplesmente ignorar esse fato.

Minha geração (infância nos anos 80 e adolescência nos anos 90) não teve nada de extremamente importante acontecendo globalmente enquanto se desenvolvia.

O resultado é que atualmente somos um bando de quase tiozinhos com saudades de modas e cultura tosca dos anos 80. Sim, sinal de decadência, mas fazer o quê ? A idade chega e quanto a isso não há nada a ser feito.

Porém, é importante notar que, por mais que a criação não possa ser atribuído a nossa geração, fomos nós, os adolescentes dos anos 90, que começamos a realmente utilizar computadores e fazer do uso dos mesmos uma mania presente em nosso dia-a-dia, assim como a TV (infelizmente) ainda é presente atualmente na vida de nossos pais.

A geração seguinte, os nascidos nos anos 90 e vivendo sua adolescência atualmente, já nasceram em um mundo onde o uso de computadores e a Internet era algo completamente normal. Sim, é estranho imaginar isso, mas existiu um tempo em que se utilizava computadores desconectados da Internet.

Reconheço, uma grande parte das possibilidades atuais não existiam sem a Internet e a principal vantagem, a possibilidade do alcance do que você produz ser global, não era sequer imaginada.

Resumindo, era um tempo chato para os padrões atuais e quem utilizava computadores nessa época (e, obviamente, anteriormente a essa época) realmente podia ser chamado de “nerd”.

Apesar de ser uma época desconectada, foi necessária, visto que durante a mesma grande parte das tecnologias existentes atualmente foi inventada. Hoje em dia, qualquer um é rotulado de “nerd”, já que o termo está na moda.

Naquela época, no entanto, somente quem realmente gostava da coisa o fazia, visto que era necessário ter muita imaginação para sentar em frente a uma telinha ilhada, desconectada, por horas e horas, conversando somente com a máquina e não com outras pessoas.

Confesso que, atualmente, apesar de obviamente saber que existe utilidade em computadores desconectados, os mesmos perdem praticamente 90% de sua utilidade caso estejam sem acesso a Internet. E estou comentando somente o uso doméstico que fazemos dos mesmos.

Profissionalmente falando, na área em que trabalho, a falta do acesso Internet só serve para aumentar a integração dos funcionários na degustação do líquido sagrado nosso de cada dia, o santificado café.

Sou um ser estranho, visto que iniciei nesse mundo de tecnologias acompanhando o surgimento comercial da Internet e o início do uso massificado do acesso a mesma, e estou entrando em uma era em que o não acesso a Internet significa, na prática, não ter chance alguma de algum tipo de sucesso profissional.

Atualmente, não somente os profissionais da área de tecnologia, mas qualquer tipo de profissional, sem o louvado acesso a Internet, no mínimo, não consegue executar suas funções profissionais de forma correta, independente da complexidade do mesmo.

A perda do acesso, atualmente, é obviamente muito mais sentida e indesejada do que a perda da televisão o era em gerações passadas. A TV, por mais que tenhamos tentado reverter esse quadro, sempre foi um meio muito mais de entretenimento do que de cultura.

A Internet, por outro lado, apesar de ter todo o entretenimento e a baboseira necessária para quem os procura, oferece uma gama extremamente mais extensa de material cultural para os que estiverem realmente interessados.

Um reflexo disso é que uma quantidade extremamente grande de ocupações e até mesmo de profissões foram criadas nos últimos anos. Profissões essas que nem mesmo eram sequer imaginadas como possíveis há poucos anos.

Utilizamos a Internet para nos divertir, para estudar, para trabalhar, para namorar e, provavelmente, qualquer outra atividade humana que você possa imaginar possui uma forma de ser reproduzida na Internet. No mínimo, ao menos pode ser facilitada.

Isso nos leva ao fato de que, já há alguns anos, e isso tem se intensificado ainda mais com a Internet e as tecnologias que dela se utilizam, o trabalho humano passou a ser essencialmente intelectual.

Obviamente, sempre existiu trabalho intelectual e sempre existiu o trabalho braçal. Também obviamente, isso não significa o fim completo do trabalho braçal, mas sim um foco cada vez menor no mesmo, somente o estritamente necessário, e um maior foco no conteúdo produzido através do uso do intelecto.

O que me leva ao assunto principal desse post (sim, eu utilizo idéias introdutórias muito maiores do que o ponto principal, me processe) : em um futuro próximo, nossa principal ferramenta de trabalho será o cérebro.

Para algumas profissões, como a que exerço, por exemplo, isso já é uma realidade e, na verdade, o tem sido basicamente desde sua invenção. O fato é que um número muito maior de profissões baseadas no pensar e no intelecto foram e continuarão a ser criadas.

Sendo o cérebro nossa principal ferramenta de trabalho, não seria comum que, dentro de algum tempo, venhamos a notar uma maior necessidade de substâncias que possam estimular o cérebro, da mesma forma que, nas épocas do trabalho baseado na força física, nos era útil ter ferramentas para melhorar nosso desempenho físico ?

Veja bem, não estou me referindo a drogas ilegais. As mesmas sempre existiram e provavelmente sempre existirão. A forma e a apresentação mudarão, mas as mesmas sempre estarão lá, disponíveis para quem quiser se destruir.

Me refiro a formas não prejudiciais a saúde de estimular o pensamento e o trabalho cerebral. Formas legais, sem que tenhamos que nos render a perigosas soluções milagrosas ilegais e seus conhecidos efeitos colaterais.

Ter a mente livre de preocupações, bem como ter uma boa dose de inspiração são pontos que, em minha opinião, são essenciais para que o trabalhador intelectual possa produzir e desempenhar bem suas funções.

O raciocínio lógico exige concentração, um certo desligamento do mundo real, uma imersão no problema e uma volta a realidade com soluções e respostas que resolvam problemas reais. É quase que um estado de transe.

Desenvolvedores de software provavelmente já conhecem bem esse estado. Mesmo eu, que não lido com desenvolvimento diretamente em meu dia-a-dia, sinto frequentemente que me encontro nesse estado fora da realidade.

Caso não queiramos rumar em direção ao buraco sem fundo da depressão, precisamos não somente da motivação financeira materializada na figura de nosso salário pago, mas também de inspiração para produzirmos.

Da mesma forma que um escritor precisa se inspirar para escrever seus textos ou um pintor precisa de inspiração para desenvolver suas obras, o profissional intelectual precisa de inspiração para conseguir produzir, dada a quantidade assustadora de informações com as quais o mesmo lida diariamente no cumprimento de suas funções.

Conhecendo bem nossos governantes e a sociedade retrógrada e empacadora do progresso em que vivemos, obviamente substâncias inspiradoras, caso venham a um dia existir (e não vejo o motivo para que não venham a existir), demorariam pequenas eras para serem aprovadas como soluções legais para problemas reais.

Dito isso, pergunto : o futuro nos reserva uma nova droga, mesmo que temporária, a qual nos preencheria com a inspiração necessária para que possamos continuar a produzir em uma sociedade totalmente baseada na informação ?

Alimento para o pensamento. Deixem suas opiniões nos comentários e, por favor, respeitem o português. Ele não somente fornecer seu pães.


Anjos e demônios

January 26th, 2009 2 comments

A sensação é conhecida : você tenta se conter e não fazer algo que você sabe que seria errado, algo que lá no seu inconsciente, você reconhece como não sendo “o certo” a ser feito.

Porém, gerado lá na mesma fornalha de pensamentos sórdidos e, vez por outra, de algumas idéias geniais, lá no fundo, outro pensamento vem a mente, querendo, de alguma forma, justificar o pensamento contrário ao pensamento anterior, tentando ao máximo lhe convencer de que o que você sabe que não é certo, pode, quem sabe, não ser lá tão errado assim.

Não, não é loucura. É simplesmente seu cérebro funcionando. E isso acontece constantemente e pode ser aplicado as mais diversas situações. Economizar e gastar, por exemplo, é um exemplo clássico e me incluo facilmente como sofredor desse mal psicológico.

Eu sou uma pessoa bastante controlada com dinheiro. Consegui, desde sempre, me conter e não gastar com supérfluos e, por vezes, até mesmo não gastar com não supérfluos, coisas úteis mesmo. Tudo para, quem sabe, conseguir atingir um objetivo maior, algo ainda mais importante, ainda mais do que o não supérfluo de necessidade pseudo-duvidosa imediata.

Porém, por mais que eu entenda a importância desse hábito (sim, virou um hábito, de tão comum), as vezes é complicado justificá-lo a mim mesmo. Um outro cérebro parece tomar conta de tudo e me sinalizar, ardilosamente, que essas idéias tão dificilmente cultivadas e transformadas em hábitos, podem não ser assim lá tão importantes quanto eu imagino que sejam.

É algo complicado, na verdade. Conviver constantemente com um anjinho e um diabinho, duelando constantemente pelo controle de suas idéias. Você sabe que, se não resistir e de deixar se levar por um ou por outro, provavelmente vai ter efeitos colaterias que, de alguma forma, acabam sendo sempre ruins, seja para sua vida pessoal ou para sua vida emocional.

Por isso, as vezes me pergunto : isso é realmente meu cérebro ? Um somente ? Brigando consigo mesmo ? Será que realmente existe somente um brigando furiosamente entre seus dois extremos no intuito de ganhar o poder de controlar meus atos no mundo real ?

Ou será que o cérebro, que segundo dizem é racional e, por vezes, insensível, estaria tentando derrotar a, por vezes, mais “racional” e sensível (e, por isso, mais correta, segundo muitos) alma ?

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