O quê te inspira ?

November 3, 2007 on 10:52 pm | In personal | 4 Comments


Você já se imaginou um maratonista que perdeu suas pernas ? Ou um escritor que perdeu seus braços ? Seja lá qual for seu pesadelo infernal, qualquer um de nós teria problemas sérios em cumprir suas funções sem ter os meios indispensáveis para cumprí-las.

O que fazer quando você tem um bloqueio criativo ? E, pior, o que fazer quando um escritor por profissão sofre de um bloqueio desses ? Em um primeiro momento, não parece ser um problema tão grave quanto os problemas citados anteriormente, afinal, você ainda continua com todos os seus membros intactos.

Porém, para aquele que sofre o bloqueio, com certeza, é sim algo comparável ao pior desastre físico possível, visto que as idéias são a fonte de seu trabalho. Sem idéias não se tem sobre o que escrever e, sem que consiga fazê-lo, logicamente, não se consegue trabalhar. Imagine-se impedido de exercer suas funções, não por não estar disposto a fazê-lo, mas sim por algum motivo inexplicável que o impede. Nada físico, nenhuma pessoa, objeto ou nada parecido. Simplesmente não vai.

Eu posso imaginar a dificuldade que uma pessoa criativa deve enfrentar quando sua fonte de idéias, anteriormente tida como algo inesgotável, de repente, sem explicação aparente, se esgota. Não sou uma pessoa que depende dessa fonte de idéias constantemente em funcionamento perfeito, mas sempre que percebo que a fonte está próxima de se esgotar, fico extremamente chateado.

Constantemente tenho vontade de escrever algo novo, mas não é sempre que tenho a inspiração necessária para fazê-lo. Também não sei dizer ao certo o ponto exato a partir do qual essa inspiração é o bastante para gerar conteúdo decente. As vezes simplesmente acontece, mesmo sem que eu tenha um assunto específico sobre o qual escrever. A coisa flui e no final parece algo interessante o bastante para ser publicado e compartilhado com os leitores.

Porém, é muito mais fácil quando se tem alguma idéia ou algum tema já pensado sobre o qual escrever. Repetir alguns passos que repeti quando tive boas idéias que julgo terem resultado em bons textos por vezes engana o cérebro o bastante para força-lo a acordar, fazendo com que os pensamentos comecem a clarear. O bastante para que algo aproveitável surja.

Mas não é uma fórmula mágica que sempre funciona. Ainda não consegui entender o que exatamente dispara a luz vermelha e exige que o cérebro passe a funcionar da forma que eu gostaria que funcionasse sempre. Uma das coisas que com certeza gera vontade de escrever cada vez mais é o retorno dos leitores sobre os textos que escrevo.

Quando há um grande retorno, sempre existe mais motivação para escrever cada vez mais e sempre algo interessante acaba surgindo. Por outro lado, a falta de retorno, seja através de comentários ou mensagens de aprovação e/ou reprovação, gera uma onda crescente de desinteresse que afasta ainda mais qualquer resquício de boa idéia que poderia estar se formando.

Também é uma situação bem parecida com a história do ovo e da galinha. Sem escrever, não tenho retorno de leitor algum e, sem retorno algum, novas idéias não aparecem e a bola de neve do desinteresse vai se fortificando, ficando maior e mais perigosa. O quê te inspira ? O que faz com que você tenha motivação para produzir algo que julgue interessante o bastante a ponto de expor ao mundo ? O que te move, te motiva, te inspira e faz com que a barreira da vergonha seja ultrapassada, te permitindo compartilhar suas ideias e visões com seus semelhantes ?

A anonimato parcial que a Internet proporciona pode ser o combustível que faltava para fazer com que um escritor solitário, que geralmente coloca suas idéias em um papel para sua própria apreciação, torne suas idéias públicas. Eu acredito que isso seja o caso de vários blogueiros desconhecidos que podem, de um dia para o outro, atrair meia dúzia de leitores admiradores de seus textos.

Mas não é exatamente a isso que eu me refiro. Não é sobre o que te faz dar o primeiro passo e começar a expor suas idéias, mas sim o que te mantém no mesmo caminho ao longo do tempo, com todos os empecilhos encontrados pelo meio do caminho em sua rotina complicada de trabalhador e blogueiro em tempo livre ?

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echnorati

Green IT : o que o software livre está fazendo para dar sua contribuição

October 31, 2007 on 12:28 am | In DebianBR, macosx, powermanagement | No Comments


Não, Green IT não significa tecnologia da informação marciana (aliás, por quê diabos não acabamos com essa idéia de que marcianos são verdes ?). Trata-se de uma nova tendência, que vem surgindo junto com a necessidade cada vez mais crescente de economia de recursos naturais e controle do clima mundial para que logo todos nós não tenhamos que ir para o buraco, literalmente.

A idéia é não somente se preocupar com sistemas melhores, mais rápidos e mais baratos, mas também com sistemas com responsabilidade ambiental. Dê uma lida no link citado anteriormente, a idéia é interessante e qualquer iniciativa no sentido de economia de energia, recursos naturais, evitar a produção de lixo eletrônico, que leve em consideração os efeitos na saúde e na produtividade dos usuários, em tempos de discussões sobre aquecimento global acaloradas, é louvável. O planeta agradece.

Mas o que o software livre pode fazer para ajudar ? Como citei em um post anterior, minha experiência com um ponto bastante prático e visível para o usuário relacionado a esse assunto, o tempo de duração de bateria de notebooks, não foi muito feliz. Consegui um tempo de duração de bateria bem inferior em GNU/Linux se comparado ao uso do MacOSX no mesmo hardware. Pouco mais de 5 horas em MacOSX e pouco mais de 3 horas em GNU/Linux.

Porém, logicamente, isso já era de se esperar, uma vez que, no caso do MacOSX, o hardware e o software foram feitos um para o outro, pelo mesmo fabricante/desenvolvedor. Seria espantoso ter um tempo de duração de bateria maior em GNU/Linux, nesse caso. Mas não custa sonhar, certo ?

Felizmente, o sonho pode se tornar realidade em um futuro não muito distante. Algo me diz que daqui há um ou dois anos será engraçado ler esse post e imaginar que tínhamos um rendimento tão inferior em softwares livres se comparado aos softwares proprietários em relação e economia de energia. Por quê digo isso ? Ora, é óbvio :-) Veja os sinais que estão surgindo por todos os cantos.

Repare nos inúmeros projetos relacionados a economia de energia que andam pipocando em todos os cantos. Apesar de ainda existir muito a ser melhorado, uma boa parte do que é necessário nas camadas mais baixas, lá nas entranhas do kernel, já está implementado com o suporte a dynticks e kernels tickless, que permitem que, dados softwares bem comportados, a CPU seja acordada uma quantidade de vezes bem menor do que o habitual.

Com uma quantidade menor de interrupções ocorrendo, o sistema como um todo tem a oportunidade de ficar mais tempo no estado idle (lá paradão, desocupado) e, consequentemente, podemos dispor de vários recursos para fazer com que a CPU passe de um estado ACPI para outro, no qual uma quantidade menor de energia seja consumida.

Ted Tso, conhecido kernel hacker conhecido por desenvolver, entre outras coisas (incluíndo estar envolvido na equipe original que projetou o Kerberos no MIT), os sistemas de arquivos ext2 e ext3 (e estar trabalhando no ext4), blogou sobre a questão da economia de energia para usuários de laptops usuários de GNU/Linux. Vale a pena a leitura.

Em seu post, Ted nos fornece uma visão geral de como está atualmente a questão do gerenciamento de energia no kernel Linux, compara a situação atual com o estado desse suporte no kernel há poucos anos atrás e indica que o futuro parece promissor, apesar de ainda faltar muito para ser feito para que consigamos ter um subsistema de gerenciamento de energia invejável aos sistemas operacionais proprietários.

É interesse ler também as reações ao post de Ted. Pavel Machek, outro kernel hacker, em um post curto em seu blog responde a alguns dos pontos levantados por Ted em seu post original e nos informa que diversos problemas apontados por Ted já estão em vias de serem resolvidos e alguns desses problemas, como a questão da suspensão de dispositivos USB e o problema dos mesmos relacionado ao consumo elevado de ciclos de processador, já estão resolvidos em kernels mais recentes.

Pavel também fornece várias dicas de como economizar ainda mais energia com algumas configurações simples. Aliás, por falar em dicas para economia de energia, como Ted citou em seu post original, a referência mais importante atualmente é o site lesswatts.org, site oficial do utilitário powertop, lançado pela Intel para auxiliar usuários e desenvolvedores a descobrir quais aplicações consomem mais energia em seus sistemas, fornecendo dicas de configurações que podem ser aplicadas para diminuir o consume de energia de sistemas baseados no kernel Linux.

Lógico que, como Ted citou em seu post, hoje em dia ainda são necessários muitos passos e muitas configurações manuais para conseguir um bom índice de economia de energia. Mas com o tempo e com a infraestrutura para gerenciamento de energia no kernel sendo melhorada, além dos drivers/módulos para dispositivos sendo atualizados para fazer uso dessa infraestrutra, a tendência é que a quantidade de configurações manuais requeridas diminua e esse tipo de ajustes provavelmente seja mais simples de ser feito, possivelmente com alguns deles até mesmo sendo feitos automaticamente pelo próprio kernel em conjunto com drivers/módulos mais inteligentes.

Eu torço para que isso aconteça e, pessoalmente, não vejo a hora de testar o futuro kernel 2.6.24, por enquanto ainda em desenvolvimento, que trará suporte a dynticks para arquitetura x86-64 e provavelmente fara meu MacBook rodando GNU/Linux competir de igual para igual com o MacOSX no mesmo hardware :-)

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echnorati

É meu !

October 30, 2007 on 10:58 pm | In blogblogs, personal, web2.0 | No Comments


Este post serve somente para reclamar este blog no BlogBlogs. Ok, vamos lá então :

É MEU E NINGUÉM TASCA ! :-)

Ufa ! Foi. Se você ainda não conhece, dê uma olhada no BlogBlogs. Trata-se de um sistema de busca a lá Web 2.0 especializado na catalogação e busca de conteúdo em blogs. Vale a pena conferir.

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echnorati

Prevenção virtual 102 : usando backups pessoais versionados (the even cheaper way)

October 29, 2007 on 11:49 pm | In DebianBR, backup, rsync, scripts, tips | 18 Comments


Não, ao contrário do que você pensa, esse não é mais um daqueles posts chatos que falam sobre a importância de backups, puxa suas orelhas por você não estar em dia com eles e lhe deixa com uma sensação de estar fazendo algo errado e de que, a qualquer momento, poderá sofrer com isso.

Mesmo você sabendo que isso tudo é a mais pura verdade, ninguém precisa ficar lhe lembrando sobre isso a todo momento e lhe aporrinhando com esse assunto. Backup sempre é e sempre será esquecido. É comum (ou, ao menos, deveria ser) não esquecermos dos backups de nossos clientes, nossos servidores e de nossos sistemas mais importantes, mas nossos backups pessoais sempre acabam ficando esquecidos.

Por quê ? Simples : porque soluções que você simplesmente coloca para funcionar uma única vez e esquece, deixando que tudo seja feito de forma transparente, são difíceis de serem encontradas e, quando o são, não são das mais fáceis para serem implementadas nem compreeendidas.

Para resolver esse problema, eu escrevi um pequeno script shell simples que uso para meus backups pessoais. Funciona de maneira estremamente simples e me permite ter backups diários ou com periodicidades ainda menores (diversas vezes por dia, por exemplo) ocupando um espaço desprezível em relação ao que seria ocupado caso backups completos fossem utilizados e, de quebra, me permite restaurar a cópia de qualquer arquivo desejado, de uma data específica desejada, sem que seja necessário sair por aí procurando por inúmeras fitas ou sem que seja necessário que eu seja obrigado a usar soluções de backup que criam catálogos de backup e que possuam um uso mais complexo.

Facilidade, esse é o objetivo. Minha solução usa o famoso rsync para implementar backups diferenciais e, mais especificamente, faz uso da opção –link-dest do rsync para criar cópias posteriores dos backups utilizando hardlinks para os arquivos originais da primeira cópia do backup.

O script cria um diretório para cada uma de suas invocações, contendo o dia, mês, ano, hora, minuto e segundo de sua execução e inclui o backup nesse diretório. Dessa forma, você possui uma visão completa de todo o seu conteúdo de backup sob esse diretório representando esse momento no tempo. Sim, o conteúdo completo, tudo, sem mais nem menos, com a diferença de que não é a cada execução que tudo é realmente copiado para o novo diretório criado.

Somente os arquivos/diretórios modificados são criados e, para o restante, somente hardlinks para os arquivos originais criados como resultado da primeira execução do script são criados. O script mantém um arquivo de controle para saber qual o momento no tempo da última execução e ter uma base para saber a partir de qual ponto deve checar por modificações em suas próximas invocações.

O único detalhe é que, como hardlinks não funcionam entre dispositivos (ou seja, entre partições ou discos diferentes), todos os backups devem ser armazenados no mesmo disco ou partição de disco. Sempre, sem fugir dessa regra para não ter uma bela surpresa com espaço em disco astronômico sendo consumido sem necessidade.

Se interessou ? Ok, mão na massa então. Simplesmente copie o script postado em sua íntegra abaixo e grave-o com um nome qualquer desejado, torne-o executável e preencha o valor das variáveis target, sources e lastrunfile, ou seja, o local onde os backups serão criados, qual o conteúdo que será alvo de backup e qual a localizaçao do arquivo que conterá a informação do último momento no tempo em que a última execução do backup foi feita (ele é criado automaticamente na primeira execução do script), respectivamente.

O conteúdo completo do script é o seguinte :


#!/bin/bash

# Name : versioned-backup.sh
# Author : André Luís Lopes
# Description : A simple shell script which deploys a nice
# versioned backup solution based on rsync’s
# hardlinking capability
# Version : 0.0.1
# License : GPL (General Public License) version 2

# Where’s the rsync binary
rsync=”/usr/bin/rsync”
# The miminal rsync options we absolutely want
rsyncminopts=”-az”
# Our target directory, i.e, where we are going
# to dump everything
target=”/backup/archives”
# A space separated list of directories we want to backup
sources=”/etc /home”
# The current point-in-time (pit), constructed in
# the DD-MM-YYY-HH:MM:SS format
pit=$(date +%d-%m-%Y-%H:%M:%S)
# The file which will store the point-in-time
# information about our last snapshot run
lastrunfile=”/backup/archives/lastrun”

# Ensure it works even when running for the very first
# time, as we create the target place where we are going
# to dump everything and the base directory to where we
# are going to hardlink further snapshots to
if [ ! -f $lastrunfile ] ; then
mkdir -p $target/$pit || true
echo $pit > $lastrunfile
for source in $sources ; do
$rsync $rsyncminopts $source $target/$pit
done
exit 0
fi

# As we are dealing with situations where we would need to
# be able to create snapshots every second and be able to
# differentiate between them, we create our point-in-time
# target directory for the current second
mkdir -p $target/$pit

# Create the snapshot of every source directory from the
# current point-in-time into our specific point-in-time
# directory and hardlink all the files and directories which
# where not modified since the last snapshot run
for source in $sources ; do
$rsync $rsyncminopts –link-dest=$target/$(cat $lastrunfile) $source $target/$pit/
done

# Store the identification of our last run into a non-volatile
# place so we can use it on further runs
echo $pit > $lastrunfile

Simplesmente execute o script de tempos em tempos, provavelmente agendado no crontab de um usuário que tenha permissões de ler os arquivos que sofrerão o backup e gravar no local onde o backup deverá ser armazenado (o root serve, mas não necessariamente precisa ser ele). É isso. Simples e fácil. Deixe o cron, o anacron ou seu agendador de tarefas preferido sendo executado e esqueça de suas preocupações com backup.

Lógico que o script pode melhorar bastante. Na verdade, tenho algumas idéias para melhorá-lo já a algum tempo, mas venho usando essa mesma solução a alguns meses sem maiores problemas e ela vem me atendendo bem, por isso nunca achei que fosse necessário melhorá-lo.

Funciona tão bem que algumas pessoas na empresa onde trabalho utilizam uma versão modificada dele, a qual eu modifiquei levemente para que o transporte ssh do rsync fosse utilizado, de forma que eu tivesse a mesma funcionalidade, mas em um ambiente em que o dispositivo que recebe o backup é uma partição de disco em um servidor remoto.

A imaginação é o limite. O que achou da solução ? Gostou ? Comente suas impressões e me deixe feliz ou profundamente triste caso minha solução seja muito tosca :-)

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echnorati

Banho de loja

October 28, 2007 on 1:11 pm | In personal, plugins | 6 Comments


Depois de tanto tempo abandonado, além de novos posts, dei também um banho de loja em meu blog. Troquei o tema padrão por um tema mais simpático, traduzi algumas strings que só existiam em inglês nesse novo tema, instalei alguns plugins interessantes do Wordpress e escrevi uma página Sobre um pouco mais decente, em substituição aquela página rancorosa que eu havia deixado por lá, desde a época que coloquei este blog no ar.

Se você lê esse blog somente assinando o RSS dos posts ou somente o RSS dos comentários, faça uma visita na página principal e diga o que achou do novo visual nos comentários deste post.

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echnorati

Masoquismo virtual 101 : mantendo lixo fora de sua caixa-postal (the cheap way)

October 28, 2007 on 2:08 am | In DebianBR, postfix, postgrey, tips | 13 Comments


Com exceção das pessoas que não estão ligadas a área de tecnlogia e, por isso, para as quais não consigo explicar o que faço, a maioria absoluta das pessoas com as quais comento sobre o fato de eu gostar de lidar com implantação e configuração de servidores de e-mail me acham no mínimo ligeiramente lesado mentalmente.

Eu posso entender o que elas sentem. Hoje em dia, com serviços de múltiplos gigabytes de espaço sendo oferecidos gratuitamente (caramba, mais de 4GB no Gmail é um bom espaço só para mensagens), a utilização cada vez maior de webmails e a complexidade de se manter um servidor de e-mail próprio saudável devido as inúmeras pragas virtuais que se propagam como, bem … pragas, ninguém em sã consciência optaria por manter seu próprio servidor de e-mails.

Isso pode ser material para análise futura, quando quiserem identificar quando meus problemas mentais começaram a me afetar de forma mais intensa, mas eu tenho que dizer : eu mantenho meu próprio servidor de e-mails. E, pasmem, eu me divirto fazendo isso. Na verdade, estava dias desses mesmo pensando sobre como diminuir meus gastos com hospedagem de meu servidor virtual, mas quando cheguei a conclusão de que teria que abrir mão de ter meu próprio servidor de e-mails, tive que adiar a decisão para um futuro distante, lá para perto da época em que eu tiver que fazer a renovação de meu plano de hospedagem, só no próximo ano.

Uma das coisas mais interessantes em manter servidores de e-mails (eu mantenho alguns além do meu próprio, principalmente servidores de diversos clientes) é ter que sempre se atualizar para estar por dentro das técnicas e ferramentas que podem ser utilizadas para combater a sempre crescente mania de malucos que acham que você está interessado em adquirir viagra diariamente tem de tentar lhe convencer a comprar alguma coisa inútil.

Uma das formais mais fáceis e eficientes (por enquanto, isso pode mudar rápido) de se evitar receber muito lixo virtual é usando alguma solução de greylisting, em adição a outras técnicas de combate a lixo eletrônico circulando via e-mail.

A técnica de greylisting se aproveita do fato de que uma grande parcela dos spammers não tentam reenviar as mensagens após a primeira tentativa de envio ter gerado uma falha de entrega. Logicamente, eles vão aprender a fazer isso mais cedo ou mais tarde e alguns com menor índice de dislexia mental já aprenderam. Mas, até que a maioria aprenda, é um boa técnica que, em meu caso, chega a evitar que eu sequer repasse spam legítimo para meu sistema antispam checar, o que também auxilia na economia de recursos de processamento e memória.

Como utilizo o famoso MTA Postfix, utilizo também uma solução que se integra facilmente ao mesmo : o Postgrey, sendo executado como um servidor de políticas.

A teoria é simples : o Postgrey fica em execução constantemente como um daemon, ouvindo em uma porta TCP local específica, através da qual o Postfix irá se comunicar com o mesmo. Sempre que uma mensagem nova chegar, antes de decidir entregá-la, o Postfix irá consultar o Postgrey, que irá checar se a mensagem pode ou não ser entregue. Para isso, ele pode checar sua whitelist própria (o que lhe permite excluir servidores ou endereços de destinatários dessa checagem) ou verificar se o destinatário já recebeu alguma mensagem do remetente ou do servidor remoto em questão.

Caso o mesmo já tenho recebido, o Postgrey não rejeita a mensagem e a devolve para o Postfix, para que o mesmo possa fazer o que for necessário com a mesma : geralmente entregá-la ao usuário final, mas, dependendo de como seu servidor está configurado, também seria possível repassá-la a qualquer outro sistema antispam que você possua já configurado (o meu caso).

Caso seja a primeira vez que a mensagem em questão esteja sendo recebida do remetente ou do servidor remoto em questão, a mensagem é temporariamente rejeitada. Mas a rejeição se dá devido ao Postfix responder com um código de retorno do protocolo SMTP que indica que a mensagem foi rejeitada temporariamente e não permanemtemente.

Para qualquer MTA minimamente bem configurado, isso signifca : ok, o servidor na outra ponta parece estar impossibilitado de receber minhas mensagens neste exato momento, então depois tento novamente. E, logicamente, quando a nova tentativa é feita, a mensagem é aceita. Lógico, você pode configurar o tempo necessário para aceitar uma nova tentativa, de forma que somente após esse tempo passado a mensagem seja aceita. Geralmente, são utilizados apenas alguns minutos (5 minutos, por exemplo), o que não implica em um atraso tão grande na entrega das mensagens e, mesmo assim, esse atraso só acontece no primeiro envio.

Ok, explicada a utilidade, vamos botar a mão na massa. Antes de mais nada, instale o Postgrey em seu servidor de e-mails baseado no Postfix. Não vou citar aqui como fazê-lo porque cada Unix ou mesmo cada distribuição Linux possui sua própria forma de instalação de software, mas posso citar que, usando Debian, o software está apenas a um aptitude de distância.

Software instalado e o daemon em execução (o que é o padrão após a instalação do pacote Debian), nos resta apenas configurar a integração do Postfix com o mesmo. Para isso, simplesmente vamos inserir a chamada ao uso do Postgrey como um servidor de políticas como um dos valores do parâmetro smtpd_recipient_restrictions no arquivo de configuração principal do Postfix, o main.cf (em Debian, ficam em /etc/postfix/main.cf).

Mnha configuração básica para esse parâmetro era a seguinte :

smtpd_recipient_restrictions = permit_mynetworks, permit_sasl_authenticated, reject_unauth_destination

Após a inserção do parâmetro para a integração com o Postgrey, esse parâmetro ficou da seguinte forma :

smtpd_recipient_restrictions = permit_mynetworks, permit_sasl_authenticated, check_policy_service inet:127.0.0.1:60000, reject_unauth_destination

Por último, simplesmente fiz um reload no Postfix para que a nova configuração passasse a ser válida :

# postfix reload

Pronto! Deste ponto em diante, todas as mensagens que chegaram em seu servidor passaram pela checagem feita pelo Postgrey, a solucáo de greylisting pela qual eu optei. Venho usando o Postgrey há mais de um ano e meio com sucesso e posso dizer que, empiricamente falando, algo entre 80% e 90% dos spam legítimos são parados por esse sistema antes mesmo de meu servidor ter que gastar ciclos de processador e memória tentando checar esse lixo todo para classificá-lo como spam.

O que vocês acharam deste post ? Devo começar a postar conteúdo mais técnico como esse ou devo me ater estritamente ao formato anterior do blog, com análise de diversos acontecimentos ocorridos na cena de software livre mundial e expressar minha opinião sobre os mesmos ? Você, leitor, é o chefe. O que manda ?

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echnorati

Sobre felinos, (in)competência e “Fazer a Coisa Certa(tm)”

October 27, 2007 on 8:45 pm | In DebianBR, macosx, therightthink | 11 Comments


Quem diria ? Eu, que vivi quase toda minha existência digital focado em software livre, atraído pelo lado negro da força. Não o lado completamente negro, mas, digamos, um lado cinza.

Comecei a computar lá pelos idos de 1995. Dois anos depois, 1997, lá estava eu com meu sistema em dual-boot usando aquele sistema operacional que todos conhecemos e que mais de 90% das pessoas do mundo todo insistem em usar, mais GNU/Linux em outra partição do meu saudoso disco. Alguns meses depois, lá estava eu, 100% GNU/Linux. E tem sido assim desde então.

Há mais ou menos dois meses atrás (diacho, foi antes de 1 de Outubro), eu estava procurando por um substituto para meu fiel companheiro, meu antigo (e, agora já não mais comigo) laptop, um Compaq NX9005, o qual rodava minha venerável cópia da versão de desenvolvimento do Debian GNU/Linux (como de praxe em todas as minhas máquinas pessoais que não atuam como servidores).

Eu sabia que dessa vez queria um laptop pequeno, de 12 ou 13 polegadas no máximo. Teria que ser uma máquina com uma configuração de hardware razoável para os padrões atuais, pequena, leve e com bastante tempo de duração de bateria. Não precisaria ser algo muito potente, porque para compilar as coisas eu tenho meu desktop doméstico mais parrudo.

Passei alguns dias procurando e, certo dia, visitando a seção de informática do Submarino, me deparei com uma promoção de notebooks da Apple. Me deparei com máquinas com nomes pomposos, como MacBook e MacBook Pro. Resolvi pesquisar sobre eles e me muni de informações sobre do que se tratariam. Depois de pesquisar bastante, descobri que um MacBook (não o MacBook Pro) seria uma opção interessante.

Promoção no Submarino, pagamento em 12 vezes sem juros, aquele notebook branquinho, bonito e pouco juízo na cabeça foram os ingredientes perfeitos para concretizar a besteira. Lá estava eu com uma dívida de 12 meses no cartão de crédito e proclamando palavras de baixo calão ao me referir ao prazo de entrega do Submarino-pós-compra-pela-Americanas.com, que de 1 dia útil só tem o nome.

Uma semana depois, lá estava eu com a razão das minhas dívidas em mãos. Comecei a brincar com o bichinho. A idéia era instalar Debian nele o mais rápido possível, mas como eu havia acabado de chegar do trabalho e já era meio tarde da noite, decidi fuçar o MacOSX e deixar a tarefa de instalar o Debian para o próximo dia.

Sábia decisão. Pouco tempo de brincaderia e eu já estava decidido que queria dual-boot entre MacOSX e Debian e tem sido assim desde então. Tenho dividido meu tempo entre o uso do MacOSX e de GNU/Linux (Debian) e, sinceramente, não tenho do que reclamar.

A máquina é rápida, leve, silenciosa, estável, bonita, tem um tempo ótimo de duração de bateria (mais de 5 horas usando MacOSX e pouco mais de 3 horas usando Debian) e não tive problema algum com a mesma desde quando a adquiri. Lógico, a Apple é a próxima Microsoft e o mundo vai acabar amanhã, mas estou gostando disso.

Não abandonei o software livre. Longe disso, ainda trabalho 100% com software livre, dou suporte a e administro dezenas de servidores GNU/Linux (em sua maioria Debian) e minha estação de trabalho tanto na empresa quanto meu desktop doméstico rodam Debian, mas o MacOSX me deixou bastante satisfeito.

Ele é um misto de muita coisa boa que existe em software livre (kernel Darwin, baseado no FreeBSD, com muita coisa Unix/Linux por debaixo da interface bonita : bash, vim, OpenSSH, Apache, BIND, etc, etc) com uma interface proprietária muito bonita e agradável de se utilizar. Usar o hardware da Apple com o software da Apple é uma experiência e tanto.

Experiência tão boa que me levou a cogitar, na primeira vez na vida, a idéia de comprar software. Sim, pode ser ideologicamente considerado errado por muitos (e eu concordo parcialmente), mas o fato é que eu não tinha até então encontrado nenhum software proprietário/pago que tivesse qualidade o bastante para me fazer pensar em pagar pelo mesmo.

Eu simplesmente não usava. Não valia a pena, na minha opinião. Com o MacOSX a história foi outra. Me impressionou tanto em termos de satisfação que eu realmente decidi comprar uma cópia do MacOSX 10.5 Leopard, lançado mundialmente ontem, 26/07/2007. Não é barato, mas também não é tão caro se comparado o outros sistemas operacionais proprietários.

O problema é que, mesmo teoricamente tendo sido lançado mundialmente ontem, estamos no Brasil. A Apple Brasil alardeou que aceitaria compras do Leopard simultaneamente com toda as lojas da Apple em todo mundo. Fiquei feliz, sem contar que o preço é basicamente o mesmo preço da matriz americana, só com a conversão de valores em dólares para reais.

O problema é que, como muitos usuários de Mac amargamente ficaram sabendo, a Apple Brasil está somente aceitando as compras, mas não necessariamente entregando o produto. Os revendedores autorizados nem mesmo tem o produto em estoque e alguns nem mesmo sabem quando o terão, enquanto os que tem alguma idéia da disponibilidade dão previsões de entrega para daqui a 20 dias.

Compare isso com o restante das representantes da Apple no mundo, que começaram a aceitar encomendas antes do lançamento oficial ontem e já entregaram os produtos ontem mesmo. Nem mesmo se eu quisesse ter o trabalho de ir até uma loja e comprar pessoalmente o produto eu teria sucesso. Como eu disse, ninguém possui o produto em estoque.

Como faz falta uma Apple Store oficial aqui no Brasil. Mesmo com a Apple Brasil aqui, o que temos são somente revendas autorizadas, não Apple Stores, as lojas oficiais gerenciadas pela própria Apple. Elas existem em inúmeros países ao redor do mundo, mas não aqui no Brasil. Existem rumores da abertura de uma Apple Store em um shopping em São Paulo, mas, ao menos por enquanto, são somente rumores.

Até lá, nós, meros mortais brasileiros que queremos estar dentro da lei e comprar o produto continuamos esperando. Isso já seria motivo para alimentar a pirataria, você pode imaginar. O interessante é que usuários Apple parecem ser mais conscientes do que é certo e o que é errado em comparação com usuários de outros sistemas operacionais proprietários.

Digo isso porque estou participando de uma lista de discussão nacional de usuários de MacOSX e a conversa atual na lista é o fato da indisponibilidade do Leopard para usuários brasileiros. Tirando poucos (me recordo de apenas um usuário ter citado a possibilidade, não que o fez), a esmagadora maioria realmente está interessada em comprar o produto e não a recorrer a redes de compartilhamento de arquivos para obtê-lo de maneira ilegal.

Compare isso com usuários daquele outro sistema operacional. Esses usuários tem a sua disposição a última versão do sistema operacional que utilizam já há algum tempo, mas todos que o utilizam e que conheço não pagaram pelo mesmo. Usam cópias piratas, peripécias das mais diversas e mais uma dúzia de truques esdrúxulos para transformarem suas cópias piratas em cópias originais, se que você me entende.

Usuários Mac, por outro lado, estão dispostos a pagar pelo software. Mas, pasmem, ninguém está disposto a vender o software aos mesmos. E esse pessoal, ao invés de correr para as redes de compartilhamento de arquivos e obtê-lo de forma ilegal, simplesmente prefere esperar pela disponibilidade do software em terras tupiniquins e comprá-lo legalmente.

Eu sei que não deveria ficar surpreso com isso e que essa deveria ser a maneira certa das coisas funcionarem, mas, ei, estamos no Brasil. Estou falando do país dos espertos. Do país dos políticos mais odiados e com mais razão para serem odiados do mundo, que diariamente dão razão para os cidadãos agirem de forma errada.

Felizmente, parece que existe esperança para a humanidade além das fronteiras do software livre. Será que nosso software, lentamente infectando a base dos felinos da Apple, conseguiu implantar um pouco de consciência nas mentes dos seus usuários ?

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echnorati

Alive and almost fully kicking !

October 27, 2007 on 7:00 pm | In DebianBR, personal | 3 Comments


Wow ! Puxa, muito tempo se passou desde meu último post. Pouco menos de dois meses a mais sem blogar e eu já completaria um ano sem post algum. Nesse ritmo, o post acabaria vindo de uma forma ou outra para comemorar todo o tempo de vacas magras sem posts :-)

Bem, de qualquer forma, voltei. Este post tem como intuito principal deixar clara minha intenção de começar a blogar com mais frequência. Aliás, uma frequência bem maior do que a que eu vinha praticando ultimamente. Diacho, a quem eu quero enganar ? Quase um ano sem post algum não é frequência alguma, é a falta completa de posts.

Mas não se preocupe, intrépido leitor abandonado : vou me esforçar para começar a me dedicar um pouco mais aos posts. Outra novidade (aliás, foi por ela que esse post surgiu) é que pretendo começar a inserir conteúdo sobre assuntos mais variados em meus futuros posts.

Andei imaginando porque eu tinha tanta dificuldade em encontrar assunto/inspiração para blogar com mais frequência e acabei chegando a conclusão que isso ocorria devido a eu sempre ficar esperando surgir algo interessante sobre software livre para poder escrever. Ora, isso é um blog, não um site que discute somente software livre.

Aliás, como o próprio nome do blog sugere, trata-se de um blog pessoal. E, como tal, logicamente, merece assuntos mais variados do que simplesmente software livre. Lógico que 90% de minha vida está de alguma forma relacionada a software livre, mas me prender somente a esse assunto não seria justo para quem pretende ter um blog pessoal, com opiniões pessoais sobre assuntos diversos.

Sim, vou continuar escrevendo sobre software livre sempre que surgir a possibilidade e sempre que achar que algo interessante sobre o assunto mereça ser comentado, mas não vou mais tentar me focar somente nesse assunto. De qualquer forma, os agregadores que publicam o que eu escrevo (ao menos aqueles nos quais eu pedi para ser incluso) já possuem o feed categorizado específico que permite que os mesmos recebam somente o conteúdo relacionado ao assunto principal do agregador e não qualquer aleatoriedade medonha que eu possa vir a publicar.

Para os leitores do Planeta Debian Brasil, peço desculpas, mas este é o primeiro e último post que faço sobre um assunto não relacionado a software livre e que aparecerá nesse agregador, justamente para informar os possíveis leitores sobre o fato de conteúdo adicional ao conteúdo que saí de meu teclado poder ser consultado em meu blog pessoal, diretamente, e não somente através do Planeta Debian Brasil.

Ok, notícia dada. Que venham os posts !

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echnorati

Quem disse que não existe suporte para softwares livres ?

December 23, 2006 on 2:52 pm | In DebianBR, community, support | 5 Comments


Uma das reclamações que mais ouvimos é a de que não existiria suporte para software livre. Existem pessoas e empresas que tendem a acreditar que, como o software é livre e não simplesmente desenvolvido por uma única entidade (empresa ou indivíduo), não existe suporte para o mesmo e os seus usuários teriam que “rebolar” para resolver seus problemas com softwares livres.

Sabemos que não é verdade e que, de fato, existem inúmeras empresas oferecendo serviços de suporte a inúmeros softwares livres. Não só para os sistemas operacionais livres, mas também para a grande maioria dos sotwares livres que rodam sob sistemas operacionais livres.

Existem empresas no mercado oferecendo diversos níveis de suporte diferenciados, desde o mais básico até o mais avançado, oferecendo diversos pacotes de serviços intermediários. E temos empresas como IBM e HP (para citar somente duas gigantes), que oferecem suporte global, 24×7, em qualquer lugar, a qualquer hora, para aqueles com necessidades mais complexas e/ou mais críticas.

Porém, para nós que estamos vivenciando software livre em nosso dia-a-dia, isso não é novidade alguma. O que realmente me levou a fazer esse post é que a síndrome de final ano, que nos leva a leituras de retrospectivas destrinchando as principais ocorrências relacionadas a softwares livres no ano todo, me apontou para algo sobre o que eu ainda não havia comentado.

Antes de mais nada, eu sei que a história é velha (síndrome de final de ano com leituras de retrospectivas, lembra ?) , mas ainda é importante citá-la de qualquer forma, até para tentar desmistificar a idéia da não existência de suporte para softwares livres (espalhe a palavra negando essa idéia, por favor).

Usando minha máquina do tempo, cheguei a essa carta aberta da empresa Pervasive PostgreSQL, na qual a empresa explicitamente cita que estaria abandonando o negócio de suporte ao PostgreSQL (uma excelente gerenciador de bancos de dados livre) por um motivo que deixaria os que afirmam que não existe suporte para softwares livres decepcionados : a comunidade do PostgreSQL existente já fornecia um suporte de alto nível.

Segundo a carta aberta da empresa, as oportunidades da empresa de fornecer uma fonte de suporte e serviços alternativos era bastante limitada, devido a existência de suporte de excelente nível já fornecido pela própria comunidade PostgreSQL aos seus usuários, de forma gratuita, algo com o que ela não poderia concorrer, logicamente.

Como concorrer com uma comunidade grande de usuários avançados e experientes, que muitas vezes conta até mesmo com os principais desenvolvedores dos softwares que utilizamos ? Quem melhor que os próprios criadores para nos auxiliarem com dúvidas e/ou problemas que temos com sua criação ? Não só temos excelentes soluções em softwares livres, mas também temos excelente suporte comunitário.

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echnorati

Módulos de kernel binários : a saga continua

December 23, 2006 on 1:01 am | In DebianBR, Portuguese, binarymodules | 3 Comments


Estava lendo a retrospectiva de 2006 do lwn.net (desculpe, conteúdo somente para assinantes, mas em uma semana o conteúdo será liberado para todos) e algo que me chamou a atenção foi novamente a citação do caso dos módulos de kernel somente binários (módulos para os quais não existem código-fonte liberado). Não vou entrar em detalhes sobre o que foi dito na retrospectiva aqui porque seria injusto de minha parte reproduzir conteúdo de acesso restrito.

O que me levou a escrever este post foi o fato de, recentemente, os próprios desenvolvedores do kernel terem considerado a idéia de banir completamente o carregamento de módulos somente binários do kernel. Sim, isso mesmo, banir completamente. E a idéia teve gente importante e influente que a apoiasse (como Andrew Morton e Greg Kroah-Hartman), inclusive com patches para colocá-lo em prática postados na lista de discussão dos desenvolvedores do kernel.

No final, porém, depois de muita discussão, a idéia foi abandonada, infelizmente. Um dos pontos principais que levou a idéia a não ser levada adiante e ser concretizada foi o fato de que, na verdade, a licença usada pelo kernel Linux (a GPL) não impede explicitamente que você USE (maiúsculas usadas intencionalmente aqui) código GPL com qualquer outro código, seja ele livre ou um monte de lixo binário sem fonte algum disponível.

Veja bem, existem restrições em relação a mesclar código licenciado sob GPL com código coberto por outras licenças (mas não vou entrar em detalhes até porque não sou especialista na àrea jurídica e não quero correr o risco de falar bobeira), mas não em relação a USAR software licenciado sob GPL com softwares somente binários não cobertos pela GPL.

O que é interessante de se notar é que, caso fossem implementadas maneiras de impedir o carregamento de módulos somente binários, na prática estariam implementando um artifício técnico para impedir algo que no fundo ninguém gosta (seria ótimo ter drivers livres e especificações liberadas para todo tipo de hardware), mas que é explicitamente permitido pela licença sob a qual o kernel é lançado. Ou seja, estariam restringindo um direito que a própria licença garante aos usuários de software cobertos pela mesma.

Ok, não é lá muito inteligente retirar intencionalmente uma liberdade explicitamente garantida pela própria licença do software que você desenvolve, mas, convenhamos : que muita gente ficaria feliz caso isso acontecesse, ah, isso ficaria sim. Pena que tenhamos que ser boas almas e não forçar a barra para acabar com um problema maior.

Um dos problemas de módulos binários (além do problema óbvio de não serem livres) é que, como não existe código fonte disponível, não há como os desenvolvedores do kernel suportá-los. Na verdade, qualquer pessoa que relata um problema com os mesmos para a lista dos desenvolvedores do kernel é informada que, infelizmente, vai ter que entrar em contato com o fornecedor do módulo binário, geralmente o mesmo fornecedor do hardware que teria que funcionar com o módulo binário em questão mas que, por algum motivo, não o está.

Basicamente, o usuário fica escravo do fornecedor do módulo binário e cria-se aí uma relação de dependência, mesmo o usuário muitas vezes tendo migrado para softwares livres exatamente para fugir dessa armadilha de dependência de um único fornecedor. Quer um exemplo fácil do dia-a-dia ? Quantos são impedidos de atualizarem seus kernels antes que a nVidia lance versões novas de seus drivers fechados compatíveis com a nova versão do kernel ?

Ou, pior ainda, quantos nem sabem que esse problema existe e atualizam para uma versão mais nova do kernel (com as ferramentas de atualização de software modernas das distribuições atuais isso é moleza, feito com um ou dois cliques) e descobrem que perderam seu ambiente gráfico completamente ? E quantos desses usuários põem a culpa no “Linux” por isso ? E quantos desses usuários realmente sabem que não há nada que os desenvolvedores do kernel possam fazer em relação a isso, mesmo se quisessem ?

Percebeu o problema ? Eu ainda não li (e creio que, se lesse, provavelmente não entenderia a maior parte), mas gostaria que a GPLv3 ajudasse de alguma forma nesse sentido, criando algum tipo de mecanismo legal que, de alguma forma inteligente, obrigasse a liberação dos códigos-fonte dos módulos binários ou pelo menos tornasse o uso dos mesmos com um software GPL (o kernel, por exemplo) algo ilegal.

Esse seria meu presente de Natal preferido. Infelizmente, parece que, ao menos por um bom tempo, isso não vai acontecer. Eu adoraria estar errado e presenciar uma liberaçao em massa de fontes por parte dos desenvolvedores de módulos binários, já que, de outra forma, o hardware que os mesmos desenvolvem não funcionariam em Linux. Atualmente, Linux já é algo que atingiu massa crítica grande o bastante para forçar movimentos nessa direção. Só não acontece porque não é algo que seja estritamente necessário, legalmente falando.

Seria ótimo também, na minha próxima compra, poder comprar hardware sem medo de que o mesmo não funcione por eu estar utilizando uma distribuição “não recomendada para uso empresarial” (já me falaram isso, Å›erio) e, portanto, ignorada pelos desenvolvedores de módulos binários, que muitas vezes só lançam versões binárias de seus módulos para distribuições específicas e não de uma forma genérica que possa ser utilizada por todas as distribuições.

Lógico, é impraticável manter versões para cada distribuição, mas liberar o código faria com que o mesmo fosse melhorado pelos desenvolvedores da comunidade, possivelmente incorporado a árvore oficial e mantido atualizado constantemente, como é feito com todos os outros drivers que já foram liberados e já estão incorporados na árvore oficial do kernel. Não existiria a necessidade de manter versões para cada distribuição, visto que o código seria genérico o bastante para funcionar em todas elas.

Todos sairiam ganhando : o usuário, que poderia optar por utilizar a distribuição que mais lhe agradasse, e a empresa fabricante do hardware, que não teria o trabalho de manter seu código atualizado e alinhado com todas as constantes modificações que ocorrem no código do kernel e demandam trabalho constante dos mantenedores de código que roda em nível de kernel.

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echnorati

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